Sexta-feira, 26 de Março de 2004

Como são os fins de semana por aí?

Como são os fins de semana por aí? Os tristes continuam nas filas para os shoppings dentro de carros a abarrotar de silêncio? Os solitários continuam as arrumações que deixaram do fim de semana passado? Vai-se aos restaurantes da moda? Há modas?
É estranho pensar em tudo isto, mas não deixa de ser divertido imaginar-te a conversar com as santidades, encontrar velhos amigos - o Brandão, já o viste?-, chorar arragado à tua mãe, com o olhar terno mas distante do sr. Severino. E o avô "Charuto", e o meu pai, já o cumprimentaste?Continua de aperto de mão tímido? E este e aquele?
Conversa não deve faltar e espantos por todas as novidades, ou as nossa novidades são só ilusões?
Eu vou passar estes dois dias a ler. Já decidi que só vou ler, depois de arrumar uns trabalhos e preparar a semana, coisa que aí deve ser diferente. Tens escrito "pensamentos" como te chamaram aos poemas no Jornal dos Carvalhos?
Vê lá se dizes alguma coisa nem que seja através da mesa pé-de-galo que não tenho.
__________________________________________________________________Jó
publicado por João de Mello Alvim às 22:08

link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 25 de Março de 2004

50 gramas

Tinha-te dito que andava a encenar uma peça (muito mal tratada) do Raul Brandão. Não a estreamos pelas razões que sabes, mas fizemos um ensaio assitido no dia que seria para a estreia. Ainda pisavas o chão.
Finalmente, com os problemas mais ou menos resolvidos, vamos estrear. Voltei ao autor. Descobrir mais para dar mais. E não é que durante as limpezas das estantes, com os livros ainda mais dessarumados do que é costume - nada que se compare com o teu "estaminé"...-, fui dar com uma segunda edição do 1º volume de memórias do homem?
Uma delícia. pequenas histórias, melhor, estórias, de um tempo fundamental:o princípio do século.
Hoje deixo-te o final de uma dessa histórias, em que um tal António Bandeira - não conheço, e tu?-, por "blague", dizia ao Pinheiro Chagas:"ninguém devia ter mais do que 50 gramas de princípios"...E sabias que, segundo o Raul Brandão, "o Eça usou bentinhos ao pescoço. Vi-os eu, que dormi por diferentes vezes com ele no quarto...""

________________________________________________Jó
publicado por João de Mello Alvim às 22:15

link do post | comentar | favorito
|

Desejo 1

Ser foguete
viver numa festa
numa festa até morrer.



Severino da Costa Oliveira
publicado por João de Mello Alvim às 21:56

link do post | comentar | favorito
|

Desejo 2

Viajar nos teus olhos
na esperança de barrar os
rios
que as tristezas dão.


Severino da Costa Oliveira
publicado por João de Mello Alvim às 21:54

link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 24 de Março de 2004

Auto Retrato

Como o vidro
Só o diamante (o mais duro) me risca
E às vezes
Um pequeno toque
estalo
e parto.


**

Que peso terão as lágrimas
que nos aram as faces?


Severino da Costa Oliveira
publicado por João de Mello Alvim às 22:48

link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

Porque o poeta eras tu.

E tu que tanto desconfiavas da net, vais agora começar a bater com a careca nos teus poemas. Porque eu sei que andas, com o eterno cigarro na mão, a viajar por aí por cima, a lançar olhares, ora atentos, ora cáusticos, sobre santos e anjos. Vais mesmo investigar isso do sexo: se há só anjos, ou se existem também também anjas? E já imagino elas em teu redor, a ouvir as tuas estórias e os teus poemas. Esses mesmos que, conforme me forem caindo nas mãos, os lançarei, qual "Discóbolo" de Miron aí para cima: aí vai aço...
________________________________________________________________Jó
publicado por João de Mello Alvim às 22:43

link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 20 de Março de 2004

Ilha de tranquilidade

Eu sei que sabes como não me tem sido fácil encontrar a tranquilidade desde o final do ano que passou.
Na última conversa que tivemos, de olhos nos olhos, sei que pressentiste que ardia em inquietação – ou seria amargura?-, e cresceste na clareza do teu entendimento sobre o que não te disse, e firmeza dos teus conselhos. A tua partida também não veio em nada ajudar, fiquei amputado, fiquei sem aquela ligação ao tempo em que tudo o que se descobre, nos ajuda a crescer espantados e atentos ao mais leve rumor. E o mais leve rumor transforma-se no mais fantástico plano de vida, no único que vale a pena ser vivido.
Eu sei que "estás aí melhor, do que na prisão", mas, e a Inês Pedrosa que me desculpe por lhe plagiar o título, fazes-me falta, mano. Muito mais agora que queria tanto encontrar uma ilha de tranquilidade.______________________________________________Jó
publicado por João de Mello Alvim às 15:59

link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

Almoçageme / Sintra,Setembro de 2002

Severino3.jpg
publicado por João de Mello Alvim às 15:55

link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 19 de Março de 2004

Conversemos então

Conversemos então, o mais que possa ser sereno, sobre a situação.
Retenho na memória, que para sempre me acompanhará, a tua rigidez serena dentro do esquife que me pareceu ridiculamente pequeno, e mais pequena, acanhada mesmo, asfixiante, aquela capela mortuária onde te depositaram.Na capela mortuária da capela do Sr. dos Aflitos, no terreiro onde tantas vezes brinquei com os filhos da srª Beatriz e do sr. José, jornaleiros dos meus pais, lembras-te?
Estavas esmagado pelo espaço, pelas flores de obrigação, pelo zelo das tuas tias, a direita e a por afinidade, e outros olhares que não recenseei.
Se dissesse que não te achei confortável, sei que te ririas fechando os olhos e soltando as tuas gargalhadas, ultimamente tão murchas, mano. Tinhas desistido, eu sei, e agora sei mais do que achava que sabia.
Mas também não posso dizer que te encontrei sem dignidade. A tua barba, a tua calva, e aquela camisa branca que a Nézinha te obrigou a comprar, num longínquo Agosto, em Marrocos, davam-te um ar distinto no meio do kitch. Lembrei-me da teu estaminé e do malfadado destino de te acomodares no meio da confusão.Faltava-te o cigarro a esmorecer nos dedos, a definhar em cinza como tu deixavas definhar o ânimo.
Cá fora vi rostos que reconheci com vinte, trinta anos antes. O Gil da drogaria; o Manuel Ferrador que nos tratava dos patins; a Inês da farmácia, filha do srº Cândido - está mais magra nunca a conheceria se não fosse a Cila mãe referenciar; o Guerner e outros de que não me lembro o nome mas que não estranhava as feições.
Os teus filhos com a serenidade intacta por fora, atentos, porque tinham de tratar de ti. A Ana desfeita e que me desfez com um abraço sentido quando “te desciam à terra”, encravando-me na garganta que lhe queria dizer: tu estavas cansado, ias descansar, e nós o que podíamos fazer senão obrigar-te a ficar, todo a acender e a apagar, na nossa memória? Nunca foste um herói, nunca nos serás servido morto, como escreveu o Reinaldo Ferreira num poema,que só tu sabias recitar.______________Jó
publicado por João de Mello Alvim às 23:05

link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Domingo, 7 de Março de 2004

Obrigado mano

Se o tempo é este que bebemos e desperdiçamos quando estamos saciados,o tempo é também este vazio que fica depois de se fechar um livro quanda a leitura ainda estava a meio. É um tempo de iluminação, quente, longo e crepuscular - como a luz de (fim de tarde em)Agosto. E tu apareces, com a tua gargalhada que nos lê o fundo dos olhos, e um livro para trocar e iniciar nova leitura.
Brindo por ti um tinto encorpado.Recosto-me,com o anelar abro a capa dura; molho com saliba a ponta do polegar e mergulho na luz de Agosto.Obrigado mano e boa viagem.___________
_____Jó
publicado por João de Mello Alvim às 17:07

link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Março 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
27
28
29
30
31

.posts recentes

. A Julinha lá foi.

. Não sr. Primeiro Ministro...

. Mas isto que interessa ao...

. Lembras-te do Vital de Co...

. A versão da "esquerda mod...

. O crime não compensa?

. O que o sr. Almeida vê ao...

. As castas

. Vale tudo para impor resp...

. Entre o hospital e a casa...

.arquivos

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Maio 2007

. Junho 2006

. Setembro 2005

. Junho 2005

. Abril 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Julho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds