Quarta-feira, 28 de Abril de 2004

O Jorge Silva Melo é comendador, mano!

O Jorge Silva Melo é comendador, mano. Esse! De tanto protestar, com aquele ar de menino que ainda não se pode tocar na moleirinha porque ainda não fechou, deram-lhe a comenda, transformaram-no em ícone no mesmo dia em que o Ramalho Eanes também teve direito a uma fita de condecorado.
Estás a ver agora as pós-balzaquianas do Santana Lopes a dizerem-lhe: Senhor Presidente o Senhor Comendador Silva Melo está aqui ao telefone todo fodido, a gritar, contra o Senhor Presidente porque o Senhor ainda não lhe resolveu o problema do espaço; “!Está lá, sim? Pois, concerteza, só um momento (carrega no botão do telefone que dá música ao interlocutor. Aos gritos de grave aflição) - O Senhor Comendador ameaça que vai deixar de fazer teatro Senhor Presidente!!! (as outras pós-balzaquianas associam-se à gritaria, puxam os cabelos, batem com os sapatos de tacão alto no chão encerado).
Está tudo feito num oito, mano, ou então somos nós que temos a mania que desorbitamos: tu foste-te deixando afogar lentamente, e desaparecestes no meio da tralha do teu estaminé; e eu para aqui ando a lutar pela minha ilha, cada vez mais radicalizado e impotente.

______________________________________________________________ Jó
publicado por João de Mello Alvim às 21:10

link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 25 de Abril de 2004

30 anos, 30,mano.

Hoje comemoram-se 30 anos, 30,mano, do 25 de Abril. No Porto, telefonou-me há pouco a Cila Mãe, a festa é a dobrar por que o FCP já é campeão antes de acabar o campeonato.
Eu sei que a bola diz-te pouco, mas quase que só me apetece comemorar o título do FCP:alguém roubou a taça da nossa alegria de há 30, 30 anos mano.
publicado por João de Mello Alvim às 17:50

link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 22 de Abril de 2004

Pertencer a uma tribo

Ontem repeti o ritual. De manhã arrumei na pasta os paramentos, fui trabalahar e, a meio da tarde lá segui para Alcântara para caso do Antonino, lembras-te, para assistirmos ao confronto entre o FCP e o Desportivo da Corunha. Pois, estamos nesta fase, nós, e o FCP, que estas já são as meias finais da Liga dos Campeões: ó mano, é só a maior competição a nível europeu!
Eu sei que não passas bola à bola, e deves achar uma extravagância, uma perda de tempo, uma maluqueira, isto de nos sentarmos em frente do televisor a sofrer com um jogo. Também não te sei explicar, nem deve ser para explicar. sei que desde cedo, como um puto, ando numa excitação uniformemente acelerada até à hora do jogo. Comecei mesmo a coleccionar pequenas superstições: estacionar sempre o caro no mesmo sítio; pré-jantar sempre na mesma mesa e no mesmo lugar, ver sempre as competições europeias na casa do meu parceiro de contágio; e em casa dele sempre no mesmo canto do sofá, depois de esticar os paramentos sobre na parte de cima do mesmo.
O que são os paramentos? Então mano, é o cachecol e o boné do FCP, carago ( ouço a tua gargalhada).
Sofremos como dois camelos a atravessar o pólo Norte ( não sei onde fui buscar a puta da imagem). Ele calado, a tentar perceber a táctica utilizada, a torcer pelo Mourinho que é a maneira acanhada de dizer que está a entrar na tribo. É isso mano, é o sentimento de tribo que nos irmana, é sofrermos por uma causa mesmo sabendo que dali a pouco acabou tudo: o mundo continua igualzinho ao que era antes da vitória ou da derrota, ou do empate, como aconteceu ontem. Mas pertencer a uma tribo, mesmo que seja por 90 minutos, é como voltar às corridas de infância na feira dos Carvalhos, a escondermo-nos atrás das árvores (como se chamavam as putas?), ou a correr para a frente do televisor a preto e branco e ali ficar estarrecido com as aventuras do Bonanza, ou ainda descer a viela para o ringue do Óquei para os treinos, e durante o treino, olhar para cima e ver o meu pai ao longe, junto à mesa de pedra no fim do quintal, a olhar para nós embebecido: era a maneira dele de nos abraçar, de dizer que nós éramos da tribo dele.____________
_____________________________________________________________ Jó
publicado por João de Mello Alvim às 23:13

link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Quinta-feira, 15 de Abril de 2004

Fui ao Porto e não te queria ver.

Fui ao Porto e não te queria ver.
Sabia que se subisse na direcção dos Leões e virasse para Carlos Alberto,ia ter direito ao teu estaminé e o teu aceno, lá do canto, bem ao fundo misturado na tralha, podia não me acolher e não sentir o teu abraço grande e terno.
Mas é impossível andar no Porto e não tropeçar em ti. A cidade conhece-te o andar pausado, mãos nos bolsos, ou mão no bolso e a outra de fora a segurar o cigarro.
Caminhas sem pressa no meio do stress. Puta de confusão,pensas. Saudades dos dias grandes das férias grandes nos Carvalhos, e a avó Ermelinda, e avô “Charuto”, e a mercearia de bancos compridos, a guloseimas nos frascos sobrepostos e os marçanos tímidos e corados, que ele desencantava sei lá onde, e me pareciam sempre meninos tão estranhos, com aquela bata cinzenta e o olhar triste, que o outro, tinha ficado na terra.
Caminhas sem pressa no meio do stress, conversando com este, e aquele, que não conheces, ou pelo menos não te lembras, mas a conversa não esmorece. Tu gostas da palavra, das palavras e deixas que elas corram em roda livre; sabes ouvir – excepto quando os demónios te arrastam para o delírio e desdobras as tuas estórias como contas de rosário, os rosários que tínhamos de recitar na altura das procissões das velas à Srª da Saúde. Lembras-te?
Seja qual for a perspectiva da oftálmica, lá estás tu, enorme, a barba à Guerra Junqueiro, a completar o cenário de pedra escura.
E eu fui ao Porto na ilusão de que, se não subisse na direcção dos Leões, virasse para Carlos Alberto e fosse para Mártires da Liberdade, não te encontraria.
____________________________________________jó
publicado por João de Mello Alvim às 21:22

link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Março 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
27
28
29
30
31

.posts recentes

. A Julinha lá foi.

. Não sr. Primeiro Ministro...

. Mas isto que interessa ao...

. Lembras-te do Vital de Co...

. A versão da "esquerda mod...

. O crime não compensa?

. O que o sr. Almeida vê ao...

. As castas

. Vale tudo para impor resp...

. Entre o hospital e a casa...

.arquivos

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Maio 2007

. Junho 2006

. Setembro 2005

. Junho 2005

. Abril 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Julho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds