Quinta-feira, 22 de Abril de 2004

Pertencer a uma tribo

Ontem repeti o ritual. De manhã arrumei na pasta os paramentos, fui trabalahar e, a meio da tarde lá segui para Alcântara para caso do Antonino, lembras-te, para assistirmos ao confronto entre o FCP e o Desportivo da Corunha. Pois, estamos nesta fase, nós, e o FCP, que estas já são as meias finais da Liga dos Campeões: ó mano, é só a maior competição a nível europeu!
Eu sei que não passas bola à bola, e deves achar uma extravagância, uma perda de tempo, uma maluqueira, isto de nos sentarmos em frente do televisor a sofrer com um jogo. Também não te sei explicar, nem deve ser para explicar. sei que desde cedo, como um puto, ando numa excitação uniformemente acelerada até à hora do jogo. Comecei mesmo a coleccionar pequenas superstições: estacionar sempre o caro no mesmo sítio; pré-jantar sempre na mesma mesa e no mesmo lugar, ver sempre as competições europeias na casa do meu parceiro de contágio; e em casa dele sempre no mesmo canto do sofá, depois de esticar os paramentos sobre na parte de cima do mesmo.
O que são os paramentos? Então mano, é o cachecol e o boné do FCP, carago ( ouço a tua gargalhada).
Sofremos como dois camelos a atravessar o pólo Norte ( não sei onde fui buscar a puta da imagem). Ele calado, a tentar perceber a táctica utilizada, a torcer pelo Mourinho que é a maneira acanhada de dizer que está a entrar na tribo. É isso mano, é o sentimento de tribo que nos irmana, é sofrermos por uma causa mesmo sabendo que dali a pouco acabou tudo: o mundo continua igualzinho ao que era antes da vitória ou da derrota, ou do empate, como aconteceu ontem. Mas pertencer a uma tribo, mesmo que seja por 90 minutos, é como voltar às corridas de infância na feira dos Carvalhos, a escondermo-nos atrás das árvores (como se chamavam as putas?), ou a correr para a frente do televisor a preto e branco e ali ficar estarrecido com as aventuras do Bonanza, ou ainda descer a viela para o ringue do Óquei para os treinos, e durante o treino, olhar para cima e ver o meu pai ao longe, junto à mesa de pedra no fim do quintal, a olhar para nós embebecido: era a maneira dele de nos abraçar, de dizer que nós éramos da tribo dele.____________
_____________________________________________________________ Jó
publicado por João de Mello Alvim às 23:13

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1 comentário:
De Anónimo a 26 de Abril de 2004 às 14:01
obrigado por contares comigo nesta tua saga cuja importância é maior do que sabemos, do que pensamos. seja minha a tua tribo, decididamente. antonino
(http://solmer.no sapo.pt)
(mailto:antonino@megamail.pt)

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